sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Registros

Três sessões de Espírito de Porco levaram a Fundação Cultural Badesc um público variado que contribuiu de formas diferentes pros debates após as exibições com os diretores Chico Faganello e Dauro Veras. Fotos por Fifo Lima.



Na foto acima, Vinícius Muniz, Lícia Brancher, Dauro Veras, Chico Faganello, Cíntia Domit Bittar e Lucas Barros, da equipe do filme.

domingo, 25 de outubro de 2009

Espírito de Porco ganha prêmio em Portugal

O documentário Espírito de Porco, dirigido por Chico Faganello e Dauro Veras, ganhou um prêmio especial do Júri Internacional na 15ª. edição do Cine'Eco - Festival Internacional de Cinema Ambiental de Seia, Portugal. O filme sobre os impactos da suinocultura industrial havia sido um dos 50 selecionados para exibição entre os mais de 300 enviados de 30 países para a mostra competitiva. O resultado foi anunciado neste sábado (24/10), no encerramento do festival.

Desde 1995 o Cine'Eco se realiza anualmente de forma ininterrupta na cidade de Seia, localizada na região da Serra da Estrela. "Um dos aspectos curiosos deste festival é que ao longo dos últimos anos a qualidade dos filmes subiu de uma forma absolutamente vertiginosa", comenta o diretor técnico do evento, Lauro António. O Júri Internacional atribuiu prêmios especiais a outros dois filmes além de Espírito de Porco: Arrakis, de Andrea Di Nardo (Itália) e Nadar Livremente, de Jennifer Galvin (EUA).

O longa-metragem Pare, Escute e Olhe, de Jorge Pelicano, foi o grande vencedor do Cine’Eco 2009. Ganhou o Grande Prêmio do Ambiente, o Grande Prêmio da Lusofonia e o Prêmio Especial da Juventude. O filme é "uma viagem através de um Portugal esquecido, vítima de promessas políticas oportunistas." Pare, Escute e Olhe recebeu outros três prêmios no festival DocLisboa, que também terminou neste final de semana.

Este é o segundo reconhecimento que Espírito de Porco recebe em festivais. No final de agosto, foi eleito o melhor filme pelo júri popular na I Mostra Internacional de Cinema pelos Direitos dos Animais, em Curitiba. O documentário estreou em julho no município de Seara, no Oeste de Santa Catarina, onde a maioria das cenas foi filmada. Nos dias 22, 23 e 24 de outubro foi exibido em Florianópolis na Fundação Cultural Badesc. Em dezembro, tem presença confirmada na 7ª. edição do Fest Cine Amazônia, em Porto Velho.

Espírito de Porco foi produzido com um prêmio de R$ 60 mil do edital de apoio à produção da Cinemateca Catarinense / Fundação Catarinense de Cultura. Renato Turnes, que faz a voz do porco-protagonista, recentemente ganhou o prêmio de melhor ator na edição 2009 do FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul (com o filme Ângelo, o coveiro).

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O contra-ataque do porco

Nenhum setor da indústria catarinense (e consequentemente as grandes fortunas) mudou tanto nos últimos anos como o da indústria de alimentos, no oeste do Estado, que tanto orgulho nos deu a partir dos anos 50, com a produção de carne processada, vendida para todo o Brasil e para o mundo a partir dos anos 50, a partir de empresas familiares. Mas a mudança principal no setor, que concentra muito do PIB catarinense, emprega milhares de pessoas e movimenta milhões de dólares, está sendo cobrada e sentida pela população consumidora de carne. Preocupados com a saúde e com a responsabilidade social, os consumidores cada vez mais querem saber de onde vem os alimentos que consomem, e se a produção deles traz danos ao meio ambiente. E neste campo a indústria de alimentos catarinense começa a rever os paradigmas.
É o que mostra Espírito de Porco, que estréia nesta quinta-feira no cineclube da Fundação Badesc, talvez o filme catarinense mais impactante dos últimos anos, que logo na abertura adverte que tem "cenas de sexo e violência". Selecionado por festivais e premiado por sua narrativa original politicamente incorreta, e com o forte sotaque dos colonos do oeste, o filme fala sem rodeios da enorme quantidade de poluição que a criação industrial de alimentos joga nos rios, e critica a estupidez de alguns por não aproveitar o potencial dos dejetos para a produção de gás, por causa da burocracia dos órgãos públicos. E defende a espécie suína de todas as difamações que os humanos lhe imputam ao longo de séculos, contrariando o nosso senso comum que diz que tudo o que é ruim é "coisa de porco".
O protagonista do filme é um suíno, já morto, que narra a sua vida no oeste catarinense e mostra coisas sobre as quais certamente muitos executivos das grandes empresas de alimentos vão pensar. Resignado com a sua condição de ser alimento para a humanidade, o porco não quer que as pessoas parem de comer salsichas ou costelinhas. Simplesmente quer que parem de culpá-lo por toda a "merda" que acontece por aí.
Chico Faganello

Espírito de Porco na rádio CBN

Entrevista de Chico Faganello à rádio CBN - 19out2009 by dauroveras

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sessão de Estréia Lotada



A sessão de quinta-feira,22, está lotada. Se você reservou o seu lugar não deixe de vir. Se não vier, avise para darmos lugar a outros espectadores.
Reservas ainda disponíveis para sexta e sábado.
Para garantir seu ingresso para as sessões de sexta e sábado, basta enviar um email para espiritodeporcofilme@gmail.com com o nome e a data escolhida (23 ou 24) para assistir o filme. Nos responderemos confirmando a solicitação com o envio de um ingresso virtual. Atenção: não é necessário imprimir o ingresso.

Um conceito chamado suíno


Suíno na região Oeste de SC significa muito mais do que uma classificação zoológica. É quase um conceito, uma filosofia que define a vida das pessoas. Até mesmo o viajante mais desatento pode entendê-lo, sem muito esforço intelectual. Só precisa usar os sentidos. Sobretudo o olfato.
São milhões de cabeças produzindo milhares de toneladas diárias de dejetos que, mesmo quando tratados, ainda tem o meio-ambiente como destino final.

Embora exposto sem pudor em terras e águas catarinenses é no ar que o porco, através dos gases formados pelos dejetos, revela suas propriedades mais íntimas. Mistura de amônia, dióxido de carbono e ácido sulfídrico o cheiro é denso, pesado e tem propriedades físico-químicas desconhecidas pelo consumidor.

Mas o conceito suíno é extremamente amplo e vai além do cheiro azedo espalhado pelo ar. Ele determina não só as relações sociais e de trabalho, pautadas pela acumulação e distribuição de riquezas, mas também as de caráter mais íntimo, uma vez que estabelece e mantém vínculos afetivos.

O porco é um personagem fundamental no imenso palco do teatro imaginário local. É através dele que se criam diálogos, piadas, ironias e expressões que revelam sua presença também no inconsciente das pessoas. O porco é quase uma figura mitológica que vive uma interminável metamorfose. Um ser desconhecido, que tem o poder de se transformar em salames, torresmos e lombinhos para se incorporar aos homens e conduzir suas ações.

Personagem principal de uma atividade capaz de gerar milhares de empregos e injetar milhões na economia, a existência deste mito é marcada por outra metamorfose. Desta vez uma contradição. De sujeito produtor de história e fator de acumulação de capital, torna-se objeto de satisfação pessoal, quando empacotado e empilhado nas prateleiras dos supermercados.

Talvez sejam estas constantes metamorfoses e contradições que fazem do porco um acontecimento histórico e que poderiam imortalizá-lo num conceito, num construto teórico capaz de orientar a vida de toda uma região. Porco na psicanálise, no torresmo, no salame e na filosofia. Porco, fonte inesgotável de inspiração arquitetônica, de criação artística, de produção literária e cinematográfica.

O filme Espírito de Porco é uma narrativa que questiona as relações entre seres humanos e deles com outras espécies e com o meio-ambiente. É uma viagem à região Oeste de SC e ao universo subjetivo de homens e de animais.

E é para esta viagem que convidamos vocês.

Sejam bem-vindos ao filme do porco! Bem-vindos ao oeste catarinense onde poderão, sem pagar nenhum centavo pela entrada - quase numa brincadeira em alusão aos lucros gerados pela atividade - saborear de partes pouco conhecidas deste nobre, poderoso e delicado, mas pouco compreendido e tão difamado animal.

Ah ... e os questionamentos levantados pelo filme? E os danos ambientais provocados pela atividade? E a acumulação de dejetos? A suinocultura poderá se tornar uma atividade sustentável? O filme aponta alternativas para a produção de alimentos?

As respostas, assim como o cheiro, ainda estão no ar.

Nane

terça-feira, 20 de outubro de 2009

E o Oscow vai para...

Este aí ao lado é o "Oscow", conquistado por Espírito de Porco em agosto ao ser eleito pelo júri popular o melhor filme na 1ª Mostra Internacional de Cinema pelos Direitos dos Animais, em Curitiba. A estatueta foi criada pelo artista plástico Carlos Tullio, numa paródia ao famoso troféu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Clique na imagem para vê-la ampliada.

Espírito de Porco em DVD

No dia 22, além da estréia de Espírito de Porco em Florianópolis, também será lançada oficialmente a versão em DVD do documentário. O estojo do DVD está sendo produzido com plástico reciclável pet ONG Instituto da Terra, e com o trabalho de detentos do presídio de Florianópolis. Sobre o disco será utilizada pouca quantidade de tinta, e não haverá papel. Tudo para manter o projeto dentro de um conceito de trabalho com baixo índice de poluição. A Prefeitura de Seara, patrocinadora do lançamento do filme no oeste do estado, vai receber 100 cópias em quatro idiomas até o final do ano. O DVD estará a venda na Fundação Cultural Badesc nos três dias de exibição do doc (22, 23 e 24). A partir desta data também está disponível para compra no site www.faganello.com a R$ 15,00.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O doc por Dauro Veras

Minha primeira motivação pra fazer Espírito de Porco foi o impulso de sair da zona de conforto. A ideia que o Chico Faganello me apresentou em 2005 era instigante: narrar a jornada de um porco na suinocultura industrial pelo ponto de vista do animal. Eu já tinha feito outros bons trabalhos com ele. Assim, o convite pra roteirizar e dirigir o filme em parceria me pareceu uma sequência natural e um bom aprendizado. Topei. Montamos o projeto, ganhamos o prêmio e passei os três anos seguintes lidando com merda.

A força da história e de suas vertentes logo me conquistaram. Rios lindos e poluídos em um lugar onde o odor dos porcos é chamado de “cheiro do dinheiro”. Relação desigual entre suinocultores e grande indústria. Tradições culturais e festas dos descendentes de imigrantes. Avanços da genética. Confinamento e coisificação do porco. Prosperidade com alto custo. Enfim, temas desse pedaço de Brasil com os quais o Chico convive desde criança e que eu só conhecia por alto. O olhar “de fora” fez o necessário contraponto à familiaridade.

Conviver com a equipe no processo de construção do filme foi precioso e divertido. Nane, lá da Alemanha, fundamental na pesquisa e com brilhantes insights no roteiro. Lícia, na produção executiva e musical, sempre atenta à essência das coisas e ao controle da grana escassa. Vini, mão firme na assistência de câmera, pronto pra tudo. Cíntia, sensibilidade e precisão na montagem em seu inseparável Mac. Cássio, comendo poeira na produção de campo e nos abrindo portas. Seu Alcides, pai do Chico e da Nane, pioneiro na suinocultura, com seus chistes e risadas (infelizmente, não viveu para ver o filme pronto). Dona Terezinha, mãe deles, doce e hospitaleira. E todos os outros que em diferentes momentos fizeram parte do time. Sou muito grato pela oportunidade que tivemos de criar juntos.

A generosidade do povo oestino é outra beleza a destacar. Sem o apoio deles, este documentário simplesmente não teria acontecido. Muitas pessoas da região têm necessidade de debater essas questões, refletir sobre o futuro. Acho que conseguimos retratar com razoável fidelidade um instantâneo de um momento histórico em transformação. Se para melhor ou pior, depende do conflito entre as forças sociais quanto a práticas que precisam ser revistas. E digo “conflito” no melhor sentido do termo, o de catalisador da evolução.

Por fim, os porcos. Uma imagem deste filme, logo no início, é especialmente marcante: o olhar da porca que acabou de parir. Pra mim, lembra o de uma velhinha, uma bondosa e sábia velhinha que, quando cumpre o seu tempo, desaparece com suavidade. É estranho constatar que todos os animais retratados pela câmera já não existem mais. Transitório e finito porco, como nós todos. Fazer este filme não me transformou em vegetariano, mas a convivência com esses seres foi transformadora. Faz o conceito de bem-estar animal ganhar uma dimensão mais... humana.


Bem-vindos ao filme!

domingo, 18 de outubro de 2009

Porco em outra língua

Quer aprender a palavra "porco" em chinês? É fácil! Olha só:




Nane Faganello

sábado, 17 de outubro de 2009

Porco domesticado


Foto: Mail Online

Paris Hilton, assim como outras celebridades, comprou recentemente um miniporco para fazer companhia aos seus outros pets. É um porco que pesa no máximo 30 quilos, em oposição aos 500 quilos que um porco de tamanho natural pode adquirir. Virou febre e na fazenda inglesa Little Pig Farm pode-se comprar um miniporco pelo equivalente a 2 mil reais. Nada barato.
No entato
, é no mínimo engraçado reparar no potencial do suíno em virar o melhor amigo do homem, aquele mesmo ao qual foram negadaspérolas. Essa moça aqui tem uma leitoa, do tamanho regular, chamada Miss Piggy, e postou um video onde ensina o bicho a sentar.
Quanto
à raça dos miniporcos, afirmam que é mais limpa e quieta, agradando assim os donos. Mas quem faz os porcos das indústrias federem e berrarem?

Mariana Coelho

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O porco por Flávio José Cardozo

Estávamos na fase de conclusão do doc quando recebi um simpático e-mail de mestre Flávio José Cardozo,  que honra as letras de Santa Catarina e do Brasil com seus contos, romances e crônicas. Ele disse estar curioso para ver o filme e enviou uma crônica publicada em setembro de 1991 no Diário Catarinense, reverenciando o porco. Aguardamos você lá, Flávio! Uma das cenas tem muito a ver com o seu texto.
O porco
Flávio José Cardozo

Alcebíades Santos, repórter de jornal, manda de Chapecó competente matéria sobre as não sei quantas utilidades que tem o porco. Relata dele tanta serventia que o leitor ponderado se constrange de já ter olhado o porco sem respeito e, pior, ter usado seu bom nome para definir um ou outro mau sujeito. Até um pensamento triste e torto cheguei a ter, confesso humildemente: da ponta do rabinho à pontinha da orelha, tintim por tintim desse vivente é 100% aproveitado - de mim que percentagem se aproveita, vivo ou morto?

Alcebíades Santos, com senso didático, retalha para nós um porco bem no ponto e faz este balanço matemático: itens industrializados são cerca de oitenta, do tipo mortadelas e salsichas; produtos congelados são uns quinze, como pernil, lombo e filé, e uns dez produtos salgados como pés, orelhas, rabo, que fazem da feijoada o encanto que ela é. E como se isso tudo não fosse já legal extraem-se ainda do dadivoso porco bondades com os quais nunca sonhou nossa vã porcologia.

Dos miolos e do reto, vejam só que chique, resultam uns peregrinos manjares que, atravessando a barreira dos mares, vão deliciar Hong-Kong. Quanto ao útero da porca, eis o seguinte: não dá só porquinhos, dá também um prato de oriental requinte. E o tesouro científico que é o porco?De seu pâncreas tiram a insulina; da mucosa intestinal, a heparina; do duodeno não ficou dito que remédio mas dele sai remédio. E nas válvulas cardíacas, ó que porco cordial! Elas dão certinho no coração humano, não há nada que melhor  e por mais tempo funcione que as válvulas cardíacas do porco. Que tal, bípede mofino, saber o coração batendo aí no peito com um tique-taque suíno?

Do couro sem luxo de quem rolou na lama saem sapatos e roupas que dão gosto, e do pêlo sai pincel para ensaboar o rosto, e do casco sai cola, e dos ossos, fígado e pulmões saem rações que perpetuam o porco irmão no corpo de outros bichos.

Soubesse eu fazer orações boas, de contrição uma faria: perdão, porco, se usei mal o teu nome, perdoas?

(Diário Catarinense – 11.09.1991)

A voz do porco


Renato Turnes (esq.) com os diretores Dauro Veras e Chico Faganello. Foto: Lucas Barros.

A "voz certa" para o nosso protagonista-porco foi muito debatida durante a gestação do filme. Da força dessa interpretação dependeria em grande parte uma narrativa verossímil. Apostávamos no recurso que, no meio dramatúrgico, se conhece como suspensão da descrença: o público se dispõe a aceitar a implausibilidade de uma situação (no caso, o espírito de um porco que conta uma história), em troca da premissa de entretenimento. E a escolha do ator Renato Turnes revelou-se uma opção feliz. Pedi a ele que descrevesse a experiência.
Nunca imaginei que eu tivesse voz de porco. Mas um dia o Faganello pediu pra eu gravar um áudio, lendo um poema do Walt Whitman. Gravei um trecho das Folhas de Relva num tom meio Pereio e mandei. Achei canastrão. Mas acho que ele gostou porque depois de alguns dias eu tinha em mãos o texto de Espírito de Porco e um DVD demo do documentário. Depois do impacto inicial com a força visceral das imagens percebi a idéia: o  texto na voz antropóide do porco deveria relacionar-se com o que se via, gerando uma tensão poética e irônica. Imaginei essa voz sem mimetismos suínos, uma voz inteligente e altiva. Um porco - rei da pocilga - orgulhoso de sua linhagem limpa, olha os humanos do alto de sua sabedoria animal e descreve seus vícios, aponta suas falhas. Denuncia a sujeira da civilização e clama por justiça para sua espécie. Porco morto, ele é espírito com voz, e seu discurso é uma espécie de metafísica da porcaria.  Durante as leituras os diretores foram  indicando passagens importantes, clareando intenções e descrevendo curvas e pontos de virada. No estúdio enfim, o porco falou. Acho que o resultado soa humano, ainda que porco. Quem assistir o filme deverá reparar no perturbador close up no olho de um porco. A imagem não me sai da cabeça. Esse plano revela a estranha ligação porco-homem. Parece que ele pensa. Certamente ele sente. Nesse olho está o personagem. Ou seu espírito.
Renato Turnes

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Para Assistir Espírito de Porco



Serão três sessões na Fundação Cultural Badesc. Espírito de Porco entra em cartaz e proporciona ao público de Florianópolis a chance de assistir ao doc de Chico Faganello e Dauro Veras em dias diferentes.
Para garantir seu ingresso basta enviar um email para espiritodeporcofilme@gmail.com com o nome e a data escolhida para assistir o filme. Nos responderemos confirmando a solicitação com o envio de um ingresso virtual. Atenção: não é necessário imprimir o ingresso.

Quinta, 22/10 às 19h
Sexta, 23/10 às 19h
Sábado, 24/10 às 17h

Mais sobre a campanha de Espírito de Porco no blog Cine Luz.

Porco-roteirista



Durante todo o processo de realização do doc, antes e depois da filmagem, surgiram diversas ideias sobre o mundo dos suínos. São indicações que ajudaram os diretores a compor o discurso de Espírito de Porco e também serviram de base para se pensar a condição do porco. Abaixo algumas dessas divagações.

Filme sobre humanos, não sobre porcos.
Este será um documentário francamente carnívoro. Terá a verdade do porco nesta condição.
Melhor, onívoro.
Auto-estima
Se não fosse pelo porco e já pedindo desculpas pela expressão, não haveria merda nenhuma no oeste catarinense. E a auto-estima das galinhas?
O porco é a pessoa mais importante de SC. Não, o porco não é uma pessoa.
Epígrafe do purgatório
Onde o homem se emporcalha e o porco se humaniza.
Comentário para o final
O protagonista engordou 120 quilos para participar deste filme.
Comentário para o final II
Alguns porcos deram o sangue e a carne para a produção deste documentário. Nossa homenagem a eles.
Frase incidental
O mundo é uma merda! Não exatamente.
Expressões com porco
Espírito de porco; porca miséria; porcaria; porcalhão; pérolas aos porcos; porco dio e porco cane; porco chauvinista; onde a porca torce o rabo. Menos a blasfêmia, porque dos diabos, o pior seria o cão.
Assuntos de Merda - uma sequência sobre dejetos (pesca, reaproveitamento, excesso, tentativas de minimizar o impacto, a fertilidade das roças, etc). Várias.
Ditados populares
“Sogro rico é porco gordo, só dá lucro depois de morto”.“Se grito resolvesse, porco não morreria”.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O doc por Chico Faganello


Foto: Ross Parry Agency

Quando me pedem por quê decidir fazer o filme, tento responder mais ou menos assim:
Porque a água ficou muito suja. Porque não existem respostas para muitas coisas na criação industrial (quer dizer, respostas existem, mas cada um usa a que lhe convém). Porque ninguém pergunta se existe outro jeito de organizar a grande quantidade de dejetos. Porque a saúde é minha. Porque a consciência é minha. E o planeta e tudo o resto não pertence a grupos que vendem carne, ou a grupos que consomem carne, ou a grupos que detestam carne, ou grupos que trabalham sem sujar, ou a grupos que trabalham sujando. Porque é um bicho popular, esse porco, quase banal. Porque tem sabor e proteínas, é bom. Porque o discurso não é só sobre o porco, e nem me interessa a vida dos porcos. Porque ainda pode existir, em nossas escolhas, o que se chama "princípios". E o que se chama de memória afetiva. E segundo os princípios da minha consciência, e para minha saúde, o que o Espírito de Porco diz no filme tem que ser dito e pensado. Porque o filme pode ser alegre, e ao mesmo tempo sério, porque desmistifica, os porcos e os homens. Não deixei de comer carne de porco, nem de vaca, e nem deixarei tão cedo. Só diminuí um pouco, e bastante os embutidos, mas sobre isso todo mundo informado já pensa e vai pensar.
Bem, este foi um primeiro post. Espero ter a chance de falar daqui a pouco sobre vender salsichas, quer dizer, vender filmes.

*Na foto Cinders, ou Cinderela, a leitoa inglesa que tem fobia de lama. Para ler mais sobre o caso clique aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Espírito de Porco, o filme mais sujo dos últimos tempos

Espírito de Porco é o filme mais sujo dos últimos tempos. O filme é porco. Há sangue e fezes. Se você não está preparado, não vá assistir. O documentário de Chico Faganello e Dauro Veras é cruel. Cruel com o público. Porque cruel com o porco e com o meio ambiente é a grande indústria de alimentos. Espírito de Porco é visceral porque mostra a natureza humana pelo viés mais literal. Mas esta visão não serve para apenas para um gueto. Espírito de Porco é um documentário para quem tem amor à humanidade. Venha se surpreender com este filme.